Você já participou de alguma reunião onde uma pessoa sugere uma ideia
relacionada à automação, seja de algum equipamento e/ou software e,
automaticamente, alguém “mata” a ideia sem sequer deixar que ela seja
apresentada?
Pois é! Esta é uma situação bastante comum nas empresas brasileiras e
é consequência de uma realidade muito conhecida em nosso país: o medo
do novo, do desconhecido, daquilo que não se domina e que, portanto,
poderá implicar em riscos que normalmente se prefere não correr, além
dos exemplos mal sucedidos.
Realidade nua e crua
Para descrever a realidade da automação no Brasil, vou tomar como base os mais de 200 projetos da IMAM Consultoria que analisaram a viabilidade técnica e econômica de soluções automatizadas nos processos de logística e/ou produção.
Para descrever a realidade da automação no Brasil, vou tomar como base os mais de 200 projetos da IMAM Consultoria que analisaram a viabilidade técnica e econômica de soluções automatizadas nos processos de logística e/ou produção.
Pode-se afirmar que, em praticamente 100% dos estudos, foram
identificadas soluções de automação tecnicamente viáveis, porém apenas
10% dos projetos foram implementados com automação. Por que os outros
90% não justificaram a automação? Bem, as explicações são várias, para
cada um dos casos, mas pode-se classificá-las em:
1) O retorno sobre o investimento não se mostrou viável;
2) O prazo para implementação da solução até atingir a capacidade prevista não atendeu à necessidade;
3) Falta de mão de obra especializada para dar suporte à operação automatizada;
4) Soluções menos automatizadas, porém mais eficientes que o processo atual mostraram um melhor custo-benefício;
5) O valor total do investimento se mostrou inviável frente a outros projetos;
6) O medo da inovação, bem como os riscos associados.
A partir desta análise, alguns podem estar perguntando: “se o medo da inovação é apenas um dos vários motivos para se inviabilizar o projeto de automação, por que tanto destaque?
A resposta é simples: para esta análise foram considerados apenas os
200 projetos que envolveram automação, mas foram mais de mil projetos
desenvolvidos pelas equipes da IMAM. Nos últimos anos e, nestes outros
projetos, as empresas já descartaram a possibilidade da automação, logo
no início (na definição do escopo do projeto).
Embora nos últimos dez anos esta realidade tenha passado por mudanças, ainda persiste o medo de inovar.
Medo por quê?
O medo nada mais é do que uma perturbação resultante da ideia de um
perigo real ou aparente ou ainda da presença de alguma coisa estranha
que nos provoca uma preocupação e o receio de causar algum mal.
E é justamente a falta de conhecimento que aumenta essa preocupação,
nos levando para mais longe de uma solução desconhecida mas que pode ser
a ideal.
No caso específico da automação na logística ou na produção, o
conhecimento necessário para que uma equipe possa estar segura em
relação ao projeto envolve muitas disciplinas que, por vezes, são
negligenciadas durante a formação profissional.
Pelo fato de um projeto de automação compor um cenário complexo de
análises e decisões, por incrível que pareça as disciplinas mais
diversas podem influenciar o “Go” ou “No Go”, entre as quais:
matemática, estatística, geometria, contabilidade, lógica, desenho,
física e até outras que são incomuns mas podem influenciar na “venda” da
ideia, tais como: história, geografia, biologia, artes, filosofia etc. E
é justamente este conhecimento geral, resultado da educação no Brasil,
que é uma das principais razões do “No Go”.
Sempre simples
A carência de conhecimento leva as empresas para as soluções
simplórias e medíocres (na média) que funcionam, mas bem longe da
excelência. É fácil constatar isto, pois quando se analisa as empresas
mais inovadoras percebe-se que por trás destas soluções existe muito
investimento em formação profissional.
Destaco aqui uma empresa que tive a oportunidade de desenvolver um
relacionamento recente, o Martins, maior atacadista do Brasil. Embora
aparentemente simples, a empresa tem muita automação em seus processos, o
que assegura uma qualidade e produtividade invejáveis e a história
mostra que isto é resultado de anos de investimento na formação de seus
profissionais.
Em síntese, as soluções automatizadas devem ser as mais simples
possíveis, mas resultado de um planejamento robusto e de análises
completas que asseguram a visão do todo.
Tendência da automação
Na medida que os profissionais no Brasil se desenvolveram em maior
escala, a automação tende a deixar de seu uma solução viável apenas para
determinados nichos e passará a fazer parte de estratégias de
competitividade organizacionais para um número maior de empresas.
Este aumento de escala da automação, que já se iniciou, tende a
facilitar cada vez mais o acesso à tecnologia e desenvolver experiências
profissionais, estabelecendo assim um ciclo virtuoso de
competitividade.

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