A história de 20 anos do Proer é cheia de idas e vindas, envolvendo
três presidentes da República, parlamentares, seis presidentes do Banco
Central e uma série de banqueiros. Até aqui, os bancos privados pagaram
R$ 16,2 bilhões ao BC, em valores atualizados. Mas a dívida que resta a
Nacional, Econômico e Crefisul não pode mais ser contestada
judicialmente, diz o BC.
Por muitos anos, os bancos
buscaram advogados e também apoio de parlamentares para fazer o BC
aceitar os Fundos de Compensação de Variações Salariais (FCVS), uma
"moeda podre". Em duas medidas provisórias, parlamentares colocaram
emendas que obrigavam o governo a receber os FCVS como pagamento. Nas
duas ocasiões, as operações foram vetadas pela presidente Dilma
Rousseff.
Além disso, o BC procurou a Advocacia Geral da
União (AGU), que usou a Lei de Responsabilidade Fiscal para mostrar que
esses papéis não tinham valor para o governo. "Se o BC tivesse sucumbido
aos interesses dos controladores dos bancos liquidados isso
representaria um prejuízo da ordem de R$ 40 bilhões", afirmou o
procurador-geral do BC, Isaac Sidney Ferreira. Ao todo, a autoridade
reguladora calcula que as perdas evitadas pelo BC com discussões
judiciais e na forma de pagamento das dívidas alcança R$ 69,5 bilhões.
Os
bancos, no entanto, conseguiram um desconto de R$ 17 bilhões nas suas
dívidas por meio de um programa especial de reparcelamento de débitos
com a União, o Refis. A Lei que permitiu a adesão dos bancos liquidados
ao Refis foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 2011.
Ao
todo, o Proer consumiu duas leis, três resoluções do Conselho Monetário
Nacional (CMN) e oito circulares do Banco Central, que foram assinadas
pelos ex-presidentes Gustavo Loyola (1995-1997), Gustavo Franco
(1997-1999) e Armínio Fraga (1999-2003). As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Fonte:http://atarde.uol.com.br/economia/noticias/1676339-bancos-nao-podem-mais-contestar-valor-de-dividas

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